Aborto medicamentoso

Aborto medicamentoso

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Procedimento, efeitos e outras informações sobre a IVG por comprimidos

  • O aborto com comprimidos é possível no início da gravidez (até à 9ª semana de gravidez ).
  • A mulher grávida toma primeiro um comprimido conhecido como Mifepristona sob supervisão médica, que dilata o colo do útero e desfaz o revestimento uterino, causando a morte do embrião.
  • 2 a 3 dias depois, administra-se Misoprostol de modo a desencadear contracções e, portanto, um trabalho de parto.

Neste artigo encontrará mais informações sobre o procedimento e efeitos de um aborto medicamentoso, e sobre possíveis efeitos secundários e riscos deste método.

Sugestão:

 

Abortar com comprimidos

Para além do método de aborto cirúrgico, é possível recorrer a fármacos para interromper uma gravidez. O aborto medicamentoso também é conhecido como aborto químico, ou hormonal. Através deste método, a interrupção da gravidez acontece na sequência da toma de comprimidos

Em Portugal só é possível recorrer a um aborto medicamentoso através de um estabelecimento oficial ou oficialmente reconhecido

  • Pode encontrar informações detalhadas sobre os prazos para um aborto medicamentoso ou cirúrgico no artigo Até quando posso fazer um aborto? Aí pode analisar quanto tempo ainda tem para tomar a sua decisão!

Sobre este método de aborto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) estabelece como limite máximo para a administração da Mifepristona e do Misoprostol uma idade gestacional inferior a 63 dias (9 semanas). Por outro lado, não existe um limite mínimo para este procedimento, basta que a gravidez tenha sido confirmada e que a consulta prévia tenha sido realizada. 

 

Quais são os comprimidos utilizados num aborto?

Para além da primeira toma de Mifepristona (também conhecida como RU-486) são ainda utilizados comprimidos com uma versão sintética de prostaglandina, como é o caso do Cytotec®, cuja substância ativa é o Misoprostol

Por vezes, mesmo antes de um aborto cirúrgico por sucção, pode ser pedido à mulher para tomar prostaglandina, de modo a suavizar o colo do útero. 

 

 

Pílula abortiva?

Neste contexto, por vezes os comprimidos utilizados num aborto são referidos como "pílulas abortivas". Trata-se de um termo coloquial para estes fármacos.

Nota importante: a pílula usada num aborto tem um ingrediente ativo diferente da pílula anticoncecional ou da pílula do dia seguinte, pelo que não deve ser confundida com estas.

 

Quais são os comprimidos abortivos e como funcionam?

Os comprimidos abortivos utilizados em Portugal são a Mifepristona e o Misoprostol. De acordo com os dados estatísticos da DGS, em 2018, 67,6% das interrupções da gravidez foram feitas através deste método. 

 

Como atua a mifepristona?

  • Mifepristona é o princípio ativo da droga conhecida como RU-486. Esta substância vai atuar bloqueando a ação da hormona progesterona, que é essencial à manutenção da gravidez. 
  • Deste modo, a Mifepristona “engana” o corpo da mulher, levando-o a “perceber” que esta já não está grávida.  
  • Cerca de 48 horas depois da ingestão deste fármaco, o colo do útero dilata-se, desfazendo-se assim o rolhão mucoso que se tinha formado(também conhecido como tampão da gravidez). 
  • A placenta é formada logo nas primeiras semanas de gravidez, a partir do seu estado de desenvolvimento preliminar e das vilosidades coriónicas. A sua função é garantir o transporte de nutrientes e produtos metabólicos entre a corrente sanguínea da mãe e a do filho. O revestimento uterino, onde estão estas vilosidades coriónicas, separa-se da parede do útero quando a mulher ingere mifepristona, fazendo com que o embrião deixe de ser sustentado e morra.  
  • Em casos raros (cerca de 3%), a ação da mifepristona é mais imediata, provocando uma hemorragia através da qual o embrião e a placenta são expelidos. 

Na maior parte dos casos, contudo, a mifepristona não é capaz de, por si só, provocar a expulsão do embrião. Por isso, dois a três dias depois, é tomada a prostaglandina, uma hormona que induz o trabalho de parto. 

 

Efeitos secundários da Mifepristona

O aborto com Mifepristona pode provocar os seguintes efeitos secundários: 

  • Dor abdominal, cólicas
  • hemorragia intensa
  • Infecções
  • náuseas, vómitos e diarreia
  • Problemas circulatórios com tremores e sensação de calor

Nos casos em que esta hemorragia se torna demasiado severa, pode ser necessária uma raspagem ou uma transfusão de sangue. Por esta razão, um aborto medicamentoso deve ser feito num estabelecimento que possua capacidade de resposta médica para situações de emergência

O médico deve informá-la de todos os pormenores do procedimento na consulta prévia

 

O procedimento de um aborto com Mifepristona

No artigo Métodos de aborto vai encontrar uma lista com dez passos importantes antes de um aborto. 

 

Antes da intervenção

Ao início, deve ser apurado o grupo sanguíneo da mulher. Trata-se de uma medida preventiva, no caso de ocorrer uma hemorragia excessiva durante o aborto, tornando-se necessária uma transfusão de sangue. 

 

Procedimentos para a interrupção da gravidez com comprimidos

  • A mulher começa por se deslocar ao serviço de saúde para tomar um comprimido de 200 miligramas de mifepristona por via oral. Após esta toma, e de acordo com indicação médica, a mulher poderá ir para casa.
  • Entre 36 a 48 horas depois (segundo ou terceiro dia): Na maior parte dos casos, a Mifepristona não tem capacidade para provocar a expulsão do embrião. Por esse motivo, o aborto medicamentoso também inclui a administração de Misoprostol (Cytotec®), que pode ocorrer em casa ou no estabelecimento de saúde, em função da necessidade clínica. Para gravidezes até às 7 semanas, a DGS tem como dose de referência 400 mg (2 comprimidos, por via oral). Entre as 7 e as 9 semanas, essa dose aumenta para 800 mg (4 comprimidos, por via oral ou vaginal).  
  • O misoprostol é uma prostaglandina sintética que provoca o trabalho de parto. Esta hormona faz com que o útero se contraia e provoca uma hemorragia durante o aborto. No caso de tomar estes comprimidos em casa, a mulher deve ser cuidadosamente informada pelo médico de modo a saber distinguir eventuais sinais de alarme. 
  • A hemorragia começa e, entre 4 a 6 horas depois, 90% das mulheres já terá expelido o embrião. (Um outro comprimido à base de gemeprost constituía uma alternativa ao Misoprostol, no entanto é raramente utilizado hoje em dia, dado que é mais dispendioso e pode causar mais efeitos secundários). 

 

Após a intervenção

Entre duas a três semanas depois da administração do último comprimido, deve ser marcada uma consulta de follow-up. Através de uma ecografia ou outros exames, o médico verifica se o embrião, o tecido da placenta e as vilosidades coriónicas foram ou não completamente expelidos pelo organismo. 

Se não for esse o caso, pode ser necessária uma nova administração de comprimidos ou uma raspagem.

 

Fácil ou difícil? – possíveis riscos

À primeira vista, um aborto medicamentoso parece uma opção mais suave e menos angustiante para a mulher, do que uma intervenção cirúrgica. Contudo, há vários fatores que devem ser tidos em conta: 

 

Possíveis desvantagens, a nível físico

O aborto através de comprimidos representa um desafio para o corpo: a nível hormonal, mas também, por exemplo, porque se prolonga por vários dias.

 

Possíveis desvantagens a nível emocional

As mulheres referem com frequência que vivem um stress intenso:

  • É a própria mulher a pegar no comprimido e a tomá-lo, iniciando assim ativamente o processo do aborto. 
  • Muitas mulheres ainda se sentem divididas no momento em que tomam o primeiro comprimido, debatendo consigo mesmas quanto a quererem, realmente, abortar. Entre a primeira e a segunda toma de comprimidos, surgem por vezes dúvidas quanto a ser demasiado tarde para decidir, afinal, prosseguir com a gravidez e se é possível reverter o processo. 
  • Muitas mulheres consideram particularmente angustiante o facto de estarem sempre conscientes durante o processo, que dura vários dias

Pode encontrar mais informações sobre este tema em "Possíveis consequências psicológicas de um aborto"

 

O que fazer agora?

Talvez esteja grávida e a viver uma situação extremamente difícil neste momento, tal como várias outras mulheres. Se calhar esta gravidez foi uma surpresa completa para si e aconteceu numa altura inoportuna. Talvez o seu companheiro não aceite a ideia de prosseguirem com a gravidez. Ou então, talvez já tenha outros filhos e não consiga ver uma possibilidade de conseguir cuidar de mais um. 

Pode contactar-nos com todas as suas preocupações, dúvidas e medos. Se quiser, podemos avaliar consigo as várias opções e caminhos disponíveis para si – teremos todo o gosto em acompanhá-la nesta fase difícil. Experimente uma destas opções:

 

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